quinta-feira, 7 de julho de 2011

A Princesa Fafá e o Príncipe Errado

Era uma vez, um conto de fadas diferente de contar,
Havia mistério, uma bruxa, princesa em perigo,
Um príncipe corajoso para salvar,
Aventura, suspense e romance,
Tudo o que numa história não pode faltar.

Vou começar falando da princesa
Que se chamava Fafá,
Uma pequena lindeza,
Nascida num reino chamado Ceará,
Terra de cabra macho e mulher que sabe caçar.

Lá, todos acreditavam em lobisomens,
Bruxas voando em noites de luar;
Os pais adoravam aquela pequena criança,
Pois ela lhes trouxe esperança
E alegria para aquele lugar.

Ali morava uma mulher
Que praticava certos rituais,
Ninguém via, ninguém sondava, ninguém ia atrás,
Maria do pé de Pinhão também um filho tinha,
Que de rosto ninguém conhecia.

Muitos anos foram passados,
A princesa Fafá tornou-se uma bela moça,
Tratava muito bem todos os criados,
E seu pai já procurava um príncipe para fazê-la esposa.

Fafá gostava de passear pela caatinga,
Com os bois, aves, cabritos, cavalos,
Ninguém acompanhava a bela menina,
Um dia ela caiu num buraco...

Fafá gritava de medo, pedindo socorro,
Uma mulher misteriosa apareceu,
Dizendo que a ouviu do alto do morro,
E ajudou-a sair daquele buraco horroroso.

Mas Fafá teve de algo fazer...
A mulher tirou sua voz agradável,
E disse que o feitiço nunca iria se reverter.

Fafá chorou de tristeza e voltou para casa,
Ninguém entendeu o que aconteceu,
Pois a pobrezinha nada falava.

Fafá logo emudeceu,
E na caatinga não queria mais andar,
Lembrava daquele dia com um eterno pesar.

A família real procurou todo tipo de ajuda,
Mas nenhum médico soube diaguinosticar,
E nenhum príncipe a queria desposar.

Um dia, num claro domingo de primavera,
Os pardais cantando nos pés de juá,
Um rapaz apareceu no jardim do castelo da princesa Fafá.

Ela estava sentada sem olhar para nenhum lugar,
Ele tentou conversar,mas ela não pôde falar.
Então, todas as manhãs, ele ia vê-la,
Apenas olhar para a moça,segurar suas delicadas mãos,
E falar de suas grandes aventuras.

Fafá o ouvia com muita atenção,podia rir com suas palhaçadas,
Trouxe de volta a alegria no coração 
E todos no castelo já o conheciam,
Tinham por ele muita gratidão,
Por tirar-lhe a tristeza e a solidão.

E por azar do destino,
Descobriram a família do rapaz,
Sua mãe era Maria do Pé de Pinhão,
A bruxa que tirou a voz da princesa fugaz.

O reino o proibiu de ver Fafá,
Deixando uma profunda tristeza em todos daquele lugar,
Mas Fafá estava apaixonada por aquele homem,
Ela se envolveu com o príncipe errado,
Mas foi o único que a tratou como alguém,
E não queria saber de quem ele havia herdado.

Procurou-o por toda redondeza,
Mas o rapaz havia se mudado.
Fafá ficou mais triste, tentou se matar,
Mas não conseguiu, o rapaz no momento chegou,
A abraçou e um beijo lhe roubou.

O rapaz também por Fafá se apaixonou,
E um milagre nesse momento aconteceu,
Ele disse: - Eu te amo!
E ela respondeu!!??

O feitiço acabou. Um beijo era a solução,
O povo todo festejou, o rei deu a sua bênção,
A bruxa presa ficou como castigo de sua malcriação,
O rapaz tornou-se o príncipe certo,
Salvando a princesa Fafá da maldição.


domingo, 26 de junho de 2011

Preciso

Eu preciso de você,
Preciso do seu caminhar
Preciso do seu modo de ver
As pessoas, os amigos, o sonhar...

Preciso do seu exemplo
Das coisas que você fala,
Preciso dos teus lamentos
E da sua luz que não se apaga

Mas preciso ainda mais
Das suas mãos
Preciso de toda paz
Que ofereces aos irmãos

Preciso desse sorriso de criança
Dos ensinamentos de outrora
Preciso da alegre esperança
Que cantamos antes de ir embora

Preciso do seu abraço explosivo
Daquele conselho que um dia disseste
Preciso do afago, do beijo carinhoso...
Por que eu, você, nós precisamos um do outro!

MARA FARIAS

domingo, 5 de junho de 2011

Pré - Conceitos

O preconceito é um mal que atinge toda gente,
Que deixa o povo descontente,
Humilhando o feio sorridente,
Preto rico ou preto pobre,
Porque nêgo não é gente e serve ao nobre,
E branco não pode ser pobre...

O brasileiro diz não ter preconceito
Mas se assusta ao ver um padre preto,
E ainda exclui quem é ‘’diferente’’
Um povo falso que finge não ver
O preconceito oculto em quem diz não ter.

MARA FARIAS

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uni-Verso

Cada um de nós é um universo
Trazendo dentro de si mensidões,
Cada planeta é um verbo
Que conjuga as suas dimensões.

Somos como as estrelas que embelezam o espaço
Refletindo alegrias,amizade e juventude
De um céu de pensamentos encantados
E ideias brihantes de atitudes...

Essas estrelas brilham com mais intensidade
Porque trazem consigo o essencial:
O vigor,as sementes que brotam a amizade
De um grupo especial...

E tornaremos flores belas
Que semearão os jardins do planeta Terra
Um trabalho que não terá fim!

Para cultivar essas ideias
É preciso força,coragem e ousadia,
Nunca deixar cair a peteca
Porque cada um trás consigo alegria.

E nessa mistura de universos não há perfeição,
Mas há segurança,companheirismo...
Há também uma grande compreensão,
Acho que é assim que estrelas viram constelação.

domingo, 15 de maio de 2011

Autocrítica

Você me conheceu
Conheceu a minha pior face
A mais impenetrante
A face mais obscura
A face traiçoeira e inquietante
A face não pura...

Infelismente você conheceu
Algo que não gosto de mostrar
Alto terrível,cruel...
A face perdida no mar
Essa é a face que não gosto de estar.

Mas não saia por aí dizendo o que viu
Essa face não pode se perpetuar
É uma face sombria,perverso,vil...
É uma face triste,de fazer chorar,
Esconda até de mim o que conheceu
Senão eu vou me matar...

MARA FARIAS

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Essas ruas por onde passamos

Nas ruas,tantos carros
Poucas matas
Tanto asfalto
Pouca fauna.

Tantos prédios
Poucas paisagens
O povo é espesso
Vivem todos à margem...

À margem do medo
À margem do desespero
À margem do acaso
À margem da margem

Nas ruas há tanta gente
Poucas consciências
Tantas lágrimas descrentes
Poucas alegrias extensas.

Tantas faces desgraçadas
Feitas de belezas enlatadas
De rugas desfarçadas
Pessoas descontroladas.

Nas ruas há tantos becos escuros
Poucas iluminadas
Tantas palavras nos muros
Poucas sinalizam a entrada

São palavras desfarçadas
De propagandas coloridas
E quando a verdade é falada
Os outros pintam por cima.

MARA FARIAS

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Insônia

Mais uma noite que passo à ver estrelas,
O dia nasce,a noite vem...
Os dias passam,o mês inicia...
E meus olhos não descansam.

Mesmo que eu consiga dormir
Sonho contigo e chego à sentir
a tua respiração perto de mim.
Eu lembro de tudo com tanta perfeição,
Nem parece que os dias se vão.

Há momentos que pareço boba sorrindo à toa,
A madrugada parece longa,
Eu rezo para chegar chegar o dia seguinte,
Mas a noite vem logo,
Essa rotina me tira do sério,
Tudo é um grande mistério...

MARA FARIAS