terça-feira, 18 de outubro de 2011

O ÚLTIMO POEMA

VIVER A VIDA

De quinta a domingo, após o expediente, Pedro ia a uma boate LGBT perto de sua casa, onde morava com Larissa e Adriana. Lá ele encontrava seus amigos, dançava, bebia, se divertia.
Quando falou a seus pais sobre sua orientação sexual, foi acolhido com todo amor que uma família poderia dar. Mas Pedro ainda era vítima de preconceitos e agressões. Ele era consciente das atitudes humanas, fingia não ouvir o que falavam de sua vida.
Naquela noite, Pedro foi à boate com uma amiga do trabalho que queria conhecer o espaço.
- Você vai amar a boate!
- Hoje eu quero abalar as estruturas!
- Então te prepara que o lugar é bom!
Pedro e sua amiga curtiram a noite, conheceram gente nova, estavam felizes.
Mas nem tudo são estrelas, a noite estava boa demais. Um rapaz que estava fumando agarrou a amiga de Pedro, ela não queria dançar com ele porque a fumaça do cigarro impregnava seus pulmões.
- Solta ela, cara!
- A biba vai fazer o quê?
Pedro deu um soco no nariz do rapaz, espirrou sangue, ele quis revidar, mas os amigos de Pedro o seguraram e o expulsaram da boate.
- Você está bem, amiga? – Pedro abraçou a amiga.
- Quem é ele?
- É um idiota. Rico, tarado e ladrão!
- Será que ele vai voltar?
- Os meninos não deixam. – Ele acenou para uns homens musculosos que estavam sentados numa mesa. – Vamos dançar. – O celular dele tocou. – Ui!...Tá vibrando... Alô? Seu Nilo?
- O que aconteceu, Pedro? – a amiga perguntou.
- Eu estou indo para o hospital agora... Tá bom, eu ligo para os meus pais.
- Fala Pedro! – ele estava pálido e nervoso, nem conseguia apertar os botões do celular.
- Minha irmã levou um tiro!
- Meu Deus!
- Mãe? Aconteceu uma coisa horrível... Não é comigo. Larissa levou um tiro, já a levaram para o hospital... Assalto... TCHAU. – Desligou o telefone. – Eu tenho que ir amiga.
- Eu vou com você.
A amiga de Pedro pegou um táxi. Ele passou na casa deles em busca de notícias, muita gente tentando bisbilhotar o acontecido, a polícia estava lá. Seu Nilo o deixou entrar, o noivo de Adriana, João Antônio, também estava. Ele era detetive da polícia.
- Encontrou alguma coisa?
- O ladrão estava sem luva.
- Sumiu alguma coisa?
- Não. Fique tranquilo, aqui você não vai ajudar em nada. Vá para o hospital...
Pedro ainda olhou para trás e viu o sangue no chão, marcas de mãos ensanguentadas por todo lado, as lágrimas desceram, ele saiu apressado do prédio em busca do hospital.

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